O Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) realizou nessa quinta-feira, 8, a primeira Sessão Clínico-Científica de 2026, reunindo o corpo clínico para um debate aprofundado sobre o transplante hepático, uma das áreas de maior complexidade da medicina.
Com o tema “Transplante hepático: o que o passado nos ensinou e o que esperar do futuro”, a sessão foi conduzida por André Watanabe, gerente de Assistência do Instituto, médico cirurgião e referência na área de transplante hepático, que apresentou uma análise histórica e prospectiva da especialidade, com foco especial na realidade do Distrito Federal e do Brasil.
Durante a apresentação, o palestrante destacou como a evolução técnica, organizacional e assistencial permitiu que o DF se consolidasse como um dos locais com maior volume de transplantes hepáticos no país, mesmo diante de limitações estruturais e financeiras. Segundo ele, o Distrito Federal é um exemplo de como é possível produzir resultados expressivos mesmo em um cenário de escassez de recursos.
“Somos uma unidade federativa que recebe menos doações e menos investimentos proporcionais, mas que ainda assim está entre as que mais realizam transplantes no Brasil”, afirmou.
André Watanabe também fez uma comparação com outros estados e cenários internacionais, ressaltando que regiões com maior taxa de doadores, como Santa Catarina, nem sempre apresentam o mesmo volume de procedimentos, o que evidencia o papel da organização dos serviços e da qualificação das equipes. Para o especialista, caso houvesse maior aporte financeiro e estrutural, o Brasil — e especialmente o DF — teria potencial para ampliar ainda mais sua atuação, inclusive no contexto da América do Sul.
“Já começamos a perceber pacientes de fora do país buscando tratamento aqui, o que reforça a relevância e a credibilidade do trabalho desenvolvido”, destacou.
O diretor clínico do ICTDF, Jorge Afiune, ressaltou a importância das Sessões Clínico-Científicas como espaço estratégico de atualização e reflexão.
“Discutir o passado, o presente e o futuro do transplante hepático é essencial para entendermos onde estamos e para onde queremos avançar. Esses encontros fortalecem a prática baseada em evidências e reforçam o compromisso institucional com a excelência assistencial”, afirmou.
A realização da primeira Sessão Clínico-Científica de 2026 com um tema de alta relevância reafirma o compromisso do ICTDF com a educação permanente, a valorização do conhecimento científico e o aprimoramento contínuo das práticas clínicas, especialmente em áreas de alta complexidade como o transplante de órgãos.